Ponte Romana de Alcántara - séc. II, ano de 107

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Alcántara

 

A sua situação na confluência dos rios Tejo e Alagón, assim como a sua proximidade com a fronteira portuguesa, configuraram de forma determinante a fisionomia de Alcántara. Diversos historiadores afirmam que esta vila poderá ser a “Norba Caesarea” dos Lusitanos. Outros relacionam Alcántara com “Colonia Caesarina” e “Interamnia” que quer dizer “entre os rios”. Pese embora a notória presença romana, serão os Visigodos que a denominarão “Oliva”, em princípios do séc. VII, dando os Árabes, ainda nesse séc. o nome definitivo de “Al-Kantara” que quer dizer “A Ponte”.

A vila foi definitivamente conquistada por D. Afonso IX que a cedeu aos Cavaleiros da Ordem de Calatrava para que a defendessem dos ataques árabes. A sua distância dos domínios da Ordem de Calatrava levam a mesma a entregar a vila à pequena Ordem Militar de São Julião de Pereiros que, para melhor a defender, se transfere para Alcántara em 1218, passando a chamar-se Ordem Militar de Alcântara. A partir deste momento, a história desta urbe será a história da Ordem, desempenhando um importante papel em determinados feitos, tais como as discórdias mantidas entre Henrique IV e Isabel I e nas guerras com Portugal, empreendidas por Filipe V.

Se existe algum local digno de destaque em Alcántara é a sua Ponte Romana. Trata-se de uma magnífica obra de engenharia, iniciada na época de Trajano e executada pelo arquitecto Caio Julio Lacer. O monumento tem 61 m de altura, 194 m de comprimento e 8 m de largura. Sustentado sobre 6 airosos arcos, na parte central e sobre os parapeitos levanta-se o Arco do Triunfo, com lápides comemorativas de Carlos V e Isabel II. Na cabeceira da ponte encontra-se um pequeno templo em honra de Trajano e dos deuses Romuleos, enquanto que no outro extremo se levanta a Torre do Ouro, elemento defensivo da fortaleza alcantarina, construída em 1778, no tempo de Carlos III.

Não é menos representativo o Convento de São Benito, Casa Prioral da Ordem Militar de Alcántara. A sua construção começou em 1505 e é de estilo renascentista no exterior, com um belíssimo claustro gótico e um templo dividido em 3 naves, com decoração plateresca (estilo espanhol de decoração, do séc. XVI). A restauração cuidada deste Convento permitiu que neste recinto se celebrem numerosas actividades culturais, servindo o Auditório, construído junto à sua fachada, de cenário inesquecível, para as celebrações anuais do Festival de Teatro Medieval e Renascentista.

O percurso pelo centro da povoação leva o visitante, numa rápida descida, até à Igreja de Santa Maria de Almócovar. Construída sobre uma Mesquita árabe, no séc. XIII, destaca-se do conjunto a sua fachada principal, de estilo românico e, no seu interior, o predomínio do estilo herreriano (estilo espanhol do séc. XVII que provém do nome de Francisco de Herrera, arquitecto da época de Filipe II de Espanha e autor do Mosteiro do Escorial). A Igreja alberga ainda importantes tabuados de “Divino” Morales, bem como um Cristo jacente, de grande valor, atribuído a Martinez Montanés.

Entre este templo e a sua casa natal encontra-se a estátua de S. Pedro de Alcántara, esculpida por Navarro Gabaldón, em 1978.

O templo de S. Pedro de Alcántara foi erigido em honra do santo franciscano, aquando da sua canonização. Construído no séc. XVII sobre a sua casa natal, é de estilo herreriano e, no seu interior, pode-se admirar um belo retábulo barroco.

Um passeio pelas ruas de Alcántara leva o visitante a descobrir surpreendentes edifícios civis, como as casas dos “Topete Escobar” e dos “Barcos”. A primeira tem uma fachada notável, de estilo gótico-renascentista, enquanto a segunda foi construída no séc. XVII. 

Igualmente interessantes são outros edifícios como o Palácio dos “Roco-Campofrio”, do séc. XVI, as casas dos “Barrantes”, dos “Apontes” (Marqueses de Torreorgaz) e dos “Calderón”, e ainda os Conventos das Monjas Comendadoras, do séc. XV e de S. Francisco, do séc. XVI, e a Sinagoga da “Soledad”. O Arco da Conceição, símbolo das fortificações alcantarinas, juntamente com a Fonte do Pilar, construída no séc. XVI e a Praça da “Corredera”, completam o tipicismo reflectido em recantos como o “Balconcillo” e a “Calle Soledad”.

Muito próxima de Alcántara encontra-se a Ermida de “Nuestra Señora de los Hitos”. A sua construção primitiva deve ter tido lugar logo após a reconquista da povoação.

Para além desta Ermida, Alcântara conta com outras, como a Ermida dos “Remédios”, de “San Antón”, de “Santa Ana”, de “La Piedad” e de “La Encarnación”.

 


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